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Por que eu preciso que todo mundo goste de mim? Entenda a necessidade de aprovação

Querer ser querido, reconhecido e bem recebido pelas pessoas faz parte das relações. Para algumas pessoas, porém, a possibilidade de desagradar alguém começa a interferir nas próprias escolhas. Você sabe que não precisa da aprovação de todo mundo, mas pensa bastante antes de dizer não, sente culpa quando coloca um limite ou percebe uma mudança no comportamento de alguém e logo começa a pensar se fez alguma coisa errada.
Isso costuma aparecer em situações muito comuns. Você recebe uma resposta mais curta e volta à conversa para conferir se disse algo inadequado. Discorda de alguém e depois sente vontade de explicar melhor o que quis dizer, mesmo que já tenha sido claro. Recusa um convite porque realmente não queria ir, mas continua pensando se a pessoa ficou chateada. Às vezes é mais fácil aceitar alguma coisa sem vontade do que passar pelo desconforto que viria depois de recusar.
Nem sempre quem vive assim se considera inseguro. É possível ter autonomia, tomar decisões importantes, construir uma carreira e reconhecer as próprias qualidades. Ainda assim, a desaprovação de determinadas pessoas pode mexer bastante com a segurança que se tinha sobre uma escolha.
A necessidade de aprovação pode aparecer justamente nessas situações em que você percebe que sabe o que gostaria de fazer, mas começa a considerar tantas possíveis reações dos outros que já não consegue sustentar sua decisão com a mesma tranquilidade.
Por que eu me importo tanto com o que os outros pensam?
A opinião das pessoas que são importantes para nós tem algum peso, e seria pouco realista pensar que é possível simplesmente deixar de se importar. Quando existe uma necessidade muito grande de aprovação, uma discordância pode fazer a pessoa questionar uma decisão sobre a qual estava segura até pouco tempo antes.
Às vezes isso acontece depois de uma conversa. Você disse aquilo que pensava, percebeu que a outra pessoa não recebeu bem e começa a repassar mentalmente o que falou. Talvez pudesse ter usado outras palavras, talvez tenha sido duro demais, talvez fosse melhor ter ficado quieto. Em algum momento, você já não está mais pensando apenas sobre a conversa. Está tentando descobrir se aquilo pode ter mudado a maneira como essa pessoa o vê.
Também é comum perceber isso diante de críticas. Você pode receber vários comentários positivos e continuar incomodado justamente com quem não gostou. Dependendo de quem fez a crítica, aquilo permanece na cabeça e pode levar você a rever uma decisão que anteriormente fazia sentido.
Nas relações mais próximas, nem sempre alguém precisa dizer claramente que está incomodado. Uma resposta diferente, menos conversa durante o dia ou uma mudança de humor pode ser suficiente para surgir a preocupação de ter feito alguma coisa. Você tenta lembrar da última conversa, pensa no que aconteceu nos dias anteriores e procura algum sinal que explique aquela mudança.
Por isso, ouvir que é preciso “parar de ligar para a opinião dos outros” costuma ajudar pouco. Quem vive dessa maneira geralmente já percebe que se preocupa demais e muitas vezes gostaria de reagir de outra forma. O trabalho está em compreender por que algumas situações despertam tanta insegurança e por que a resposta do outro se tornou tão importante para recuperar a tranquilidade.
Quando agradar todo mundo começa a fazer parte das suas escolhas
A necessidade de aprovação nem sempre aparece como uma procura evidente por elogios ou atenção. Em muitos casos, ela está presente na quantidade de decisões que são tomadas pensando primeiro em como outra pessoa poderá reagir.
Algumas situações podem se tornar frequentes:
- dizer sim quando gostaria de recusar;
- sentir culpa depois de colocar um limite;
- explicar demais decisões pessoais;
- evitar conversas que podem gerar conflito;
- mudar de ideia depois de perceber que alguém não gostou da sua escolha;
- preocupar-se muito em decepcionar as pessoas;
- tentar descobrir rapidamente se alguém está chateado;
- sentir que precisa estar disponível sempre que alguém precisa;
- ter dificuldade para pedir alguma coisa para si;
- pensar muito sobre a impressão que deixou depois de uma conversa.
É claro que ceder e considerar os outros faz parte de qualquer relação. Às vezes aceitamos um programa que não escolheríamos, reorganizamos a agenda para ajudar alguém ou deixamos uma preferência de lado. A necessidade de aprovação começa a aparecer com mais clareza quando recusar parece trazer um custo emocional muito alto.
Isso é bastante comum em pessoas conhecidas por serem disponíveis, responsáveis ou compreensivas. Elas podem ter se acostumado a ocupar esse lugar nas relações e, muitas vezes, gostam genuinamente de cuidar das pessoas. A dificuldade aparece quando estão cansadas, não concordam ou simplesmente não querem fazer alguma coisa e, mesmo assim, sentem que precisam continuar correspondendo.
Depois de algum tempo, pode surgir cansaço e até ressentimento. A pessoa sente que faz muito pelos outros e que dificilmente recebe o mesmo em troca. Quando começa a observar melhor essas relações, às vezes percebe que vinha oferecendo muito sem sequer se perguntar antes se tinha vontade, tempo ou disponibilidade para aquilo.
Por que dizer não pode provocar tanta culpa?
Quem tem dificuldade para colocar limites nem sempre tem dificuldade para encontrar as palavras. Muitas pessoas conseguem dizer não de maneira educada e clara... o problema começa depois.
Você recusa um pedido e fica pensando na resposta. Coloca um limite em alguém da família e sente vontade de mandar outra mensagem para explicar melhor. Fala com o parceiro sobre algo que incomodou e, quando percebe que ele ficou contrariado, começa a reconsiderar se precisava mesmo ter falado.
A culpa pode aparecer mesmo quando a pessoa reconhece que o limite era necessário. Ela sabe que não fez nada de errado, mas continua desconfortável porque alguém ficou frustrado com sua decisão.
Por isso, aprender técnicas de comunicação ajuda até certo ponto. Se depois de cada limite existe uma preocupação intensa com a possibilidade de afastamento, rejeição ou mudança na relação, saber qual frase utilizar não resolve tudo o que acontece emocionalmente.
É comum que algumas pessoas se expliquem muito por causa disso. Em vez de simplesmente dizer que não poderão ir a algum lugar, apresentam vários motivos. Quando tomam uma decisão que a família não aprova, sentem que precisam convencer todos de que existe uma justificativa razoável. A escolha parece precisar ser compreendida pelo outro antes de poder ser sustentada por quem a fez.
O que a psicanálise pode compreender sobre a necessidade de aprovação?
Na psicanálise, a necessidade de aprovação não é tratada apenas como um comportamento que precisa ser corrigido. Interessa compreender como cada pessoa foi construindo sua maneira de se perceber nas relações e por que ser reconhecido de determinada forma passou a ter tanta importância.
Desde muito cedo, vamos percebendo como somos vistos pelas pessoas que ocupam lugares importantes na nossa vida. Uma criança pode ser reconhecida por ser responsável, tranquila, inteligente, compreensiva, independente ou por “não dar trabalho”. Essas características podem realmente fazer parte dela, mas também passam a ocupar um lugar nas relações.
Ao longo da vida, cada pessoa vai construindo referências sobre aquilo que esperam dela. Isso acontece na família, depois nas amizades, nos relacionamentos amorosos, na vida profissional e em tantos outros espaços. Algumas pessoas conseguem transitar por essas expectativas com mais liberdade. Outras se acostumam tanto a considerá-las que uma decisão própria quase sempre vem acompanhada da avaliação sobre como será recebida.
Na vida adulta, isso pode ser bastante sutil. Você sabe o que a família espera de você, conhece aquilo que costuma deixar seu parceiro satisfeito, percebe o comportamento valorizado no trabalho e entende rapidamente qual decisão seria mais bem recebida. Quando sua vontade coincide com tudo isso, provavelmente não existe grande conflito. A dificuldade aparece quando você quer algo diferente.
Nessas situações, pode surgir uma negociação interna longa. Você pensa no que quer, depois em quem poderá se decepcionar, em como explicar sua escolha, se deveria abrir mão, se está sendo egoísta ou se seria melhor esperar. Algumas decisões se tornam cansativas não pela decisão em si, mas por tudo o que você precisa resolver internamente antes de se permitir tomá-las.
Com o tempo, também pode ficar mais difícil reconhecer o próprio desejo. Não porque você não saiba o que quer, mas porque aprendeu a pensar na sua vontade sempre acompanhada da possível reação de alguém. Aquilo que deseja e aquilo que acredita que deveria desejar podem começar a se misturar.
É nesse ponto que a leitura psicanalítica amplia a compreensão da necessidade de aprovação. Em vez de olhar apenas para a insegurança ou tentar aumentar a autoestima, é possível investigar o lugar que o olhar e as expectativas dos outros ocupam na vida daquela pessoa e como isso participa das escolhas que ela continua fazendo.
Como a necessidade de aprovação aparece nos relacionamentos?
Nos relacionamentos amorosos, esse funcionamento pode aparecer na dificuldade para conversar sobre aquilo que incomoda. Você sabe que precisa falar, mas começa a pensar em como o parceiro reagirá. Escolhe as palavras com muito cuidado, adia a conversa ou apresenta o incômodo de uma maneira tão suavizada que aquilo que realmente gostaria de dizer acaba ficando em segundo plano.
Também pode existir uma necessidade frequente de confirmação. Uma mudança no comportamento do parceiro desperta insegurança, e você começa a observar se ele está diferente, se aconteceu alguma coisa ou se deixou de sentir o mesmo. Em algumas relações, isso se aproxima do medo de rejeição e da necessidade constante de saber se está tudo bem entre os dois.
A adaptação também pode acontecer de forma gradual. No início são pequenas concessões, comuns em qualquer relacionamento. Depois, a pessoa percebe que quase sempre é ela quem reorganiza os planos, evita determinados assuntos ou deixa algumas necessidades para outro momento. Como cada situação isolada parece pequena, pode levar tempo até perceber o quanto se acostumou a preservar a relação evitando desagradar.
Nas relações familiares e nas amizades, quem sempre ocupou o lugar de quem compreende, ajuda e está disponível pode encontrar dificuldade quando começa a agir de outra maneira. A família estranha um limite, um amigo reclama que a pessoa mudou ou alguém reage mal a uma negativa. Para quem já tem muita dificuldade com desaprovação, essas reações podem reforçar a sensação de que se posicionar traz problemas.
No trabalho, a necessidade de aprovação pode aparecer na preocupação excessiva em corresponder, no medo de cometer erros e na dificuldade para recusar tarefas. Algumas pessoas conseguem receber uma crítica profissional como parte do trabalho; outras passam muito tempo pensando naquilo e começam a questionar a própria competência. Nesses casos, reconhecimento profissional e percepção de valor pessoal podem acabar muito próximos.
Necessidade de aprovação é baixa autoestima?
A baixa autoestima pode estar presente, mas não explica todas as situações. Há pessoas que reconhecem suas qualidades, sentem-se competentes e conseguem tomar decisões com bastante autonomia em diversas áreas da vida, mas ficam muito inseguras diante da possibilidade de rejeição em alguns vínculos.
Também é comum encontrar diferenças dependendo da relação. Alguém pode colocar limites com tranquilidade no trabalho e não conseguir fazer o mesmo com a família. Pode se posicionar com amigos, mas ter grande necessidade de validação dentro de um relacionamento amoroso.
Por isso, observar onde esse funcionamento aparece costuma ser mais interessante do que tentar encontrar rapidamente uma explicação geral. Com quem é mais difícil dizer não? De quem você sente que precisa da aprovação? Quais críticas permanecem na sua cabeça por mais tempo? Em quais relações você sente que precisa corresponder a uma determinada imagem?
Essas diferenças ajudam a compreender o sentido que a aprovação tem para cada pessoa e por que alguns vínculos mobilizam muito mais insegurança do que outros.
Como parar de querer agradar todo mundo?
É comum chegar a essa pergunta depois de perceber o quanto a opinião das outras pessoas interfere nas próprias decisões. Algumas pessoas tentam se policiar para dizer mais “não”, outras passam a buscar formas de impor limites ou fazem um esforço para não pensar tanto na reação dos outros.
Essas mudanças podem ser importantes, mas costumam ser difíceis de manter quando a desaprovação continua provocando a mesma ansiedade. A pessoa consegue estabelecer um limite, mas passa horas se sentindo culpada. Toma uma decisão por conta própria, mas continua esperando que alguém confirme que fez a escolha certa.
Ao longo de um processo terapêutico, é possível perceber melhor quando você está fazendo uma escolha porque realmente deseja aquilo e quando está tentando evitar a reação de alguém. Essa distinção nem sempre é óbvia, principalmente para quem passou muito tempo se orientando pelas expectativas das pessoas ao redor.
Isso também não significa que todas as escolhas precisem ser individuais ou que considerar os outros seja um problema. Relações exigem negociação, cuidado e concessões. O que pode mudar é a possibilidade de participar dessas relações sem precisar abrir mão de si toda vez que existe o risco de alguém ficar insatisfeito.
Perguntas frequentes sobre necessidade de aprovação
Por que eu preciso da aprovação dos outros?
A necessidade de aprovação pode estar relacionada à forma como cada pessoa construiu sua percepção de valor e aprendeu a se posicionar nos vínculos. Experiências de rejeição, expectativas familiares, medo de decepcionar e a maneira como o reconhecimento foi vivido ao longo da história podem participar desse funcionamento. Não existe uma explicação única que sirva para todas as pessoas.
Por que sinto culpa quando digo não?
Para algumas pessoas, dizer não vem acompanhado do receio de decepcionar, magoar ou provocar um afastamento. Por isso, a culpa pode aparecer mesmo quando o limite era necessário e foi colocado de maneira adequada.
Como parar de me importar tanto com a opinião dos outros?
Quando a necessidade de aprovação interfere nas escolhas, simplesmente tentar ignorar a opinião alheia costuma ser difícil. Compreender quais relações despertam essa preocupação, o que você teme que aconteça quando desagrada alguém e por que determinadas opiniões têm tanto peso ajuda a trabalhar a questão de maneira mais profunda.
A terapia ajuda quem precisa agradar todo mundo?
A psicoterapia pode ajudar a compreender como essa necessidade foi construída, por que algumas situações de desaprovação provocam tanto sofrimento e de que maneira isso interfere nos limites, relacionamentos e escolhas pessoais.
A terapia pode ajudar quando a necessidade de aprovação interfere nas suas escolhas
Quando você percebe que deixa de falar algumas coisas para evitar conflitos, sente culpa ao colocar limites, muda decisões importantes depois da desaprovação de alguém ou passa muito tempo preocupado com aquilo que as pessoas pensam sobre você, essas situações podem ser trabalhadas em psicoterapia.
Na psicoterapia de orientação psicanalítica, o processo envolve conhecer a maneira particular como você construiu seus vínculos, os lugares que costuma ocupar nas relações e as expectativas que foram ganhando importância ao longo da sua história. Aos poucos, também é possível reconhecer melhor aquilo que pertence ao seu próprio desejo e aquilo que vem sendo feito principalmente para preservar a aprovação dos outros.
A PsicoClinic é uma clínica de psicologia com atendimento individualizado, presencial em São Paulo e online. O acompanhamento psicológico considera a história e a singularidade de cada paciente, inclusive quando questões como necessidade de aprovação, medo de rejeição, dificuldade de colocar limites e insegurança nos relacionamentos começam a interferir na vida pessoal, afetiva ou profissional.
Para quem percebe que passa muito tempo tentando corresponder ao que esperam, a psicoterapia pode ser um espaço para compreender por que esse funcionamento se repete e desenvolver uma maneira mais própria de se posicionar nas relações.
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